O seriema de pĂ© vermelho, cariama cristalizado, chuña patirroja ou socori Ă© uma espĂ©cie de ave da famĂ­lia Cariamidae e a Ășnica representativa do gĂ©nero Cariama, tradicionalmente incluĂ­da na ordem Gruiformes, mas hoje em dia colocada numa ordem Cariamiformes. É um predador principalmente terrestre.

É a mais comum das duas Ășnicas espĂ©cies vivas de chuña, pertencentes Ă  ordem Cariamiformes e Ă  famĂ­lia Cariamidae.

Características da Chuña de Pés Vermelhos

É a Ășnica espĂ©cie viva pertencente ao gĂ©nero Cariama, espĂ©cie: Cariama cristata. A restante espĂ©cie de chuña pertence ao gĂ©nero Chunga: a chuña de pĂ©s negros (Chunga burmeisteri).

Cariama Cristata Propriedades e Características da Chuña de Pés Vermelhos O termo «cariama», que indica o género, deriva do nome pelo qual esta ave é conhecida no seu local de origem. O termo «cristata», indicando a espécie, vem do latim «cristatus» = «cristado» ou, falando de cascos, «adornado com uma pluma», referindo-se obviamente ao tufo característico de penas na sua cabeça.

A palavra chuña, de origem quichua, estå ligada ao termo chuñar, difundido no norte do país (Argentina), que significa «vomitar»: possivelmente isto tem a ver com a forma como estes animais correm, fazendo com que os movimentos corporais se assemelhem aos feitos ao vomitar.

Mais sobre sua origem

O nome científico da família Cariamidae, por outro lado, estå relacionado com um par de termos das línguas da população de Tupi, «siriema» (pequena ema) ou «seriema» (ema cristalizada), em alusão ao aspecto geral destas aves (algo reminiscente de ema) e à crista das penas da chuña de pés vermelhos.

Os primeiros espanhĂłis e PortuguĂȘs que chegaram durante a conquista, por outro lado, procuraram um parentesco diferente, com aves das suas prĂłprias terras, e chamaram-lhes faisĂ”es, talvez devido a alguma semelhança anatĂłmica, como a do bico, e tambĂ©m devido a quĂŁo agradĂĄvel era para eles a sua carne.

Zoogeografia da Cariama Cristata

A Chuña de pés vermelhos é uma espécie típica da América do Sul; a sua distribuição abrange o interior de uma ampla faixa vertical do continente, começando nas pastagens do Brasil (Sobretudo no Bioma Cerrado), a sul do rio Amazonas, e atingindo até ao Uruguai e ao norte da Argentina.

Actualmente a espécie não estå ameaçada, embora seja bastante rara no Uruguai e as populaçÔes argentinas estejam em declínio devido à caça e destruição do seu habitat natural.

Ecology-Habitat

Os ambientes preferidos da chuña são åreas abertas: vive principalmente em prados, savanas, åreas semi-desérticas e florestas secas, embora nas proximidades de cursos de ågua. Vive sozinho ou em pares.

É por vezes visto em pequenos grupos de cerca de 4 indivĂ­duos, caso em que sĂŁo grupos familiares. Na natureza, a chuña acompanha frequentemente o gado nos pastos para descobrir mais facilmente os insectos.

Muitas vezes, estas aves aproximam-se de campos cultivados e jardins, dando a impressão de serem oportunistas. Actualmente, o Crested Chuña é frequentemente visto no resto do mundo, fora do seu continente de origem, em jardins zoológicos e criadouros privados.

Morfofisiologia: Como Ă© um Cariama Cristata

Esta ave tem cerca de 75-90 cm de comprimento e pesa cerca de 1,5 kg. Tem uma forma característica, sendo a sua conformação a de um «corredor», imediatamente identificåvel pelo seu longo pescoço, longas pernas e longa cauda.

A farda Ă© castanha-acinzentada, com uma aparĂȘncia fina, mais escura, semelhante Ă  pele de tubarĂŁo, o que determina uma risca clara, na sua maioria visĂ­vel perto e na cabeça e pescoço. A cabeça, pescoço e peito sĂŁo castanhos claros com tonalidades acinzentadas.

Cariama Cristata Propriedades e Características da Chuña de Pés Vermelhos

As costas, asas e alcatra sĂŁo maioritariamente castanhas-acastanhadas; a barriga Ă© castanha-esbranquiçada. A cauda tem as duas penas centrais do leme castanhas, enquanto as sucessivas penas tĂȘm uma sĂ©rie de barras largas.

A coloração sucessiva das barras, partindo da parte proximal das penas é: castanha-acastanhada (primeira risca), depois branca (esta risca branca é «suja» de castanho, principalmente nas duas penas do leme adjacentes às penas do leme castanho central e torna-se gradualmente mais branca à medida que continua ao longo do resto dos lados), preta (terceira risca) e finalmente branca novamente (ponta da cauda).

Este padrão só pode ser visto quando a ave estende as suas asas, e é mais evidente na parte inferior, onde o palheta tem o mesmo padrão barrado até aos cobertuårios.

O bico, bastante robusto e curvo, Ă© de uma cor avermelhada-laranja profunda. As pernas tĂȘm a mesma cor que o bico e sĂŁo claramente longas em relação ao corpo; estĂŁo equipadas com trĂȘs dedos dos pĂ©s que terminam em pregos pontiagudos, que descansam no chĂŁo.

Um pequeno quarto dedo do pĂ© estĂĄ localizado na parte de trĂĄs e nĂŁo toca no chĂŁo. Os olhos, em espĂ©cimes adultos, sĂŁo de cor cinzento gelo-aço. À volta dos olhos existe uma ĂĄrea de pele azul clara e nua. Nos lados da cabeça, acima dos olhos, as penas sĂŁo mais leves e formam uma espĂ©cie de sobrancelha branca.

Cariama Cristata Propriedades e Características da Chuña de Pés Vermelhos

Na cabeça, perto da base dorsal da tribuna superior do bico, hå penas rígidas, macias e erécteis, com uma barra escura ligeiramente mais extensa (em comparação com o resto da plumagem), especialmente em direcção ao åpice das penas, que formam uma espécie de crista-pinåculo na cabeça, e que determinou o nome da espécie.

Muitas das caracterĂ­sticas anatĂłmicas desta espĂ©cie sĂŁo partilhadas pelo Chunga de pĂ©s negros (Chunga burmeisteri), que Ă© a Ășnica outra espĂ©cie viva da mesma famĂ­lia e estĂĄ distribuĂ­da no noroeste da Argentina e Paraguai.

Este Ășltimo prefere mais ĂĄreas arborizadas, e Ă© mais pequeno em tamanho do que a chuña de pernas vermelhas, mais notĂłria e difundida.

Etologia-Biologia reprodutiva

O Cariama cristata Ă© um predador terrestre Ășnico; apesar de poder voar, caça no solo em busca da sua presa. Foi considerado semelhante Ă s aves pertencentes Ă  ordem Gruiformes, na qual uma vez foi incluĂ­do.

O seu aspecto, que Ă© tĂŁo semelhante aos grous como Ă s abetardas e Ă s aves de rapina, criou muitos problemas de classificação. EstĂĄ agora incluĂ­da numa ordem diferente e mais apropriada, os Cariamiformes, juntamente com trĂȘs famĂ­lias extintas.

Do que eles se alimentam?

Alimenta-se de insectos, cobras, lagartos, sapos, aves e roedores, sendo a sua dieta principalmente carnívora, com pequenas quantidades de alimentos vegetais. Quando captura presas pequenas (lagartos, cobras), a chuña apanha-as com o seu bico e bate-as contra o chão ou superfícies duras para as matar.

Cariama Cristata Propriedades e Características da Chuña de Pés Vermelhos

Engole-as segurando o corpo da presa com as pernas (usando, sobretudo, a garra longa e extensível do segundo dedo do pé) e arrancando pequenos pedaços com o seu bico.

O modo de matar a presa batendo-a no chão é instintivo, e é tão inato que tal comportamento pode realmente ser observado, através de demonstração, usando cobras e lagartos de borracha com garras treinadas pelo homem.

Uma espécie familiar

Os membros do par/família cantam frequentemente juntos, emitindo um som descrito como uma cruz entre o latido de um jovem cão e o som de um peru. Enquanto cantam, dobram o pescoço e levantam a cabeça, movendo-os para cima e para baixo e mantendo a boca aberta de uma forma característica.

Normalmente, assim que um membro do par/família termina a sua canção, outro começa a prolongar a chamada; por vezes o par canta em tandem, reforçando a chamada.

Os apelos da chuña podem ser sentidos a quilĂłmetros de distĂąncia; algumas pessoas locais mantĂȘm a chuña nos seus galinheiros para tirar partido dos seus apelos de aviso boisterous, no caso de algum predador se aproximar das aves de capoeira.

Se sentir ameaçado, prefere voar correndo (atĂ© 25 km/h) por longas distĂąncias antes de voar. Esta espĂ©cie pode fazer ninho quer no solo, quer em arbustos ou mudas atĂ© 3 m acima do solo; neste Ășltimo caso, preferem saltar para alcançar o ninho em vez de voar.

Reprodução

A chuña constrĂłi ninhos volumosos feitos de paus grossos. PĂ”em geralmente 2 ovos esbranquiçados, que sĂŁo ligeiramente manchados de castanho-arroxeado. A fĂȘmea faz a maior parte da incubação, que dura 24-30 dias.

Ao eclodir, os pintos sĂŁo cobertos com uma cor de chocolate na base, com tufos longos e raios mais leves (castanho-escuro) que dĂŁo Ă s crias uma aparĂȘncia lanosa.

As crias são semi-precoceciais e abrem os olhos repentinamente; permanecem no ninho durante cerca de 2 semanas e depois seguem os pais, com os quais formam um pequeno grupo, unido por laços estreitos. Atingem a maturidade aos 4-5 meses de idade.

Os pintos nascem com uma íris castanha, que fica amarela e permanece da mesma cor até à maturidade.

Cariama Cristata Propriedades e Características da Chuña de Pés Vermelhos

Os jovens, em tamanho adulto, distinguem-se por uma barra mais escura da plumagem, e pela cor das pernas e do bico, que serĂŁo, respectivamente: primeiro cinzento e preto, depois laranja mais claro, depois virado para o vermelho-alaranjado tĂ­pico da idade adulta.

De um ponto de vista ecolĂłgico, esta espĂ©cie ocupa o mesmo nicho ecolĂłgico na AmĂ©rica do Sul que a serpente (Sagittarius serpentarius) em África. Este Ă© um caso de convergĂȘncia evolucionĂĄria; as duas espĂ©cies partilham semelhanças anatĂłmicas e comportamentais, embora pertençam a ordens diferentes.

As aves do terror

Os Chuñas, pertencentes à mesma ordem dos Cariamiformes (mas a uma família diferente), são presumivelmente os parentes vivos mais próximos do grupo de aves sul-americanas extintas pertencentes à família (Phorusrhacidae), cujos fósseis foram encontrados na América do Norte e do Sul, e conhecidos pelo termo genérico «aves do terror», devido às suas capacidades predatórias e às dimensÔes notåveis que algumas espécies possuíam (até 3 m de altura).

O termo «phorusrhacidae» significa portador de rugas, referindo-se à superfície rugosa da mandíbula. As espécies maiores eram carnívoras, sem voo, predadoras dominantes da América do Sul, no topo da pirùmide alimentar durante o Mioceno.

Titanus walleri, uma das maiores espécies, viveu do Texas para a Florida na América do Norte, onde emigrou da América do Sul.

Na PatagĂłnia, foi encontrado o fĂłssil da espĂ©cie (Kelenken guillermoi) que tinha o maior crĂąnio jamais registado para uma ave: a cabeça tinha 71 cm de comprimento e o Ășnico bico, com a forma de um bico de ave de rapina curvo, tinha 46 cm de comprimento.

No entanto, a maioria das espécies pertencentes ao grupo «ave do terror» eram mais pequenas. Pensa-se que tais aves foram corredores habilidosos, ågeis, råpidos, capazes de atingir velocidades de cerca de 48 km/h.

A forma råpida de correr, com longos passos, mantendo a cabeça estendida para a frente e o corpo arqueado, juntamente com a forma de se manter em contacto vocal contínuo da chuña cristalizada, faz lembrar o velociraptor do Parque Juråssico!

Graças a esta espécie, o parentesco entre as aves modernas e os dinossauros extintos torna-se particularmente evidente.

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