Nas profundezas das florestas sul-americanas, uma lenda ancestral ecoa entre as √°rvores. Conta-se que o Uruta√ļ, o p√°ssaro fantasma, √© mais do que uma criatura alada.

Ele √© um guardi√£o dos segredos da natureza, um mensageiro entre os mundos, cujo canto melanc√≥lico entrela√ßa os destinos daqueles que ousam explorar os rec√īnditos da exist√™ncia. Sua presen√ßa, fugaz como a noite, desafia os limites entre a realidade e a imagina√ß√£o, conduzindo os corajosos a um eterno crep√ļsculo de mist√©rios.

Entre Sombras e Sonhos: A Lenda do P√°ssaro Fantasma

Dizem que dizem… que no nordeste, mais precisamente nas proximidades do rio Uruguai, vivia um cacique cuja bravura ia al√©m das margens de seu territ√≥rio.

Esse bravo homem contava entre seus bens mais preciosos com √Ďeambi√ļ, sua bela e √ļnica filha.

A jovem guardava um segredo profundo em seu coração, o amor por um jovem que seu pai havia feito prisioneiro.

O belo guerreiro pertencia a outra tribo, a Tupi.

√Ďeambi√ļ e Cuima√© guardaram o segredo em seus cora√ß√Ķes por muitas luas, mas uma noite algu√©m os descobriu e fez com que o cacique soubesse dos fatos.

Como era de se esperar, quando o cacique descobriu, ele se recusou a dar seu consentimento para que eles ficassem juntos.

A jovem implorou à mãe que interviesse, mas ela, fiel ao marido, também não consentiu.

√Ďeamb√≠√ļ ficou desesperada, chorando copiosamente por n√£o poder compartilhar seu amor com aquele que havia escolhido, e decidiu se refugiar no mato.

Quando perceberam sua ausência, outros jovens que haviam sido confidentes de seu amor frustrado decidiram sair em busca dela para implorar que voltasse para casa.

Por mais que implorassem, √Ďeambi√ļ se recusou terminantemente a voltar e, al√©m disso, sem que pudessem impedi-lo, a mo√ßa se embrenhou no cora√ß√£o da floresta, onde reinava Ca√° Por√°, um monstro aterrorizante, tanto que, s√≥ de olhar em seus olhos, podia tornar horr√≠vel o futuro do infeliz.

Enquanto isso, Cuima√© permanecia prisioneira. Os amigos de √Ďeambi√ļ voltavam v√°rias vezes para procur√°-la, ela os ouvia impass√≠vel, e v√°rias vezes eles ouviam as hist√≥rias dos desejos frustrados da garota e, embora a convidassem para voltar √† comunidade, ela nunca concordava.

Quando perceberam que o cora√ß√£o da jovem n√£o podia ser movido a desistir de sua decis√£o, n√£o tiveram escolha a n√£o ser dar a ela a m√° not√≠cia e, sem mais delongas, anunciaram a morte de sua melhor amiga, mas ela n√£o derramou uma √ļnica l√°grima.

Com o passar das luas, outras m√°s not√≠cias foram trazidas a ela, a pior delas, talvez, a de que seus pais haviam deixado este mundo, mas ela n√£o se comoveu, n√£o demonstrou ang√ļstia nem l√°grimas. Ela permaneceu como se fosse feita de pedra.

O xamã de sua tribo era Aguará Payé e, quando ela o viu aparecer, sabia que ele trazia desígnios muito ruins. Aguará Payé se aproximou dela e quase soletrou o nome Cuimaé morreu.

De repente, a garoa se transformou em flocos brancos e gelados, um frio intenso parecia vir do al√©m e toda a montanha escureceu, ela soltou o lamento mais lament√°vel que j√° havia sido ouvido, depois seu corpo se metamorfoseou at√© se transformar em um p√°ssaro, o uruta√ļ.

Os amigos de √Ďeanbi√ļ que acompanhavam o feiticeiro, um a um, transformaram-se em salgueiros cujos galhos, desprovidos de folhas, erguiam-se para o c√©u como se estivessem implorando, ent√£o o urutau fez um voo curto e pousou nos galhos onde chorou eternamente por seu amor eterno.


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